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Mãe

Quantas vezes no corre-corre do fazer, fazer, fazer me senti assim!?



Neste mês, em que se comemora o Dia da Mãe, senti o apelo imbuído do sentimento maternal.


Como filha senti o “abandono” dos pais, pois tinham de ir trabalhar para proverem o lar. O local de trabalho era longe e havia muitas horas de ausência. Tive uma infância feliz, às vezes solitária, tenho um irmão mais velho e tínhamos uma senhora que tomava conta de nós ou os avós, dependendo da época do ano.



(1992)


Como mãe senti o dever e a prisão ao mesmo tempo, ter de ir cedo trabalhar para longe, mais em tempo que distância e deixar a minha filha “sozinha”, com avós ou na escola.


Adorei estar grávida, com a minha enorme barriga, passei por momentos desafiantes e emocionalmente fortes, só que sempre bem acompanhada pela “minhoca” que se desenvolvia dentro, atenta aos sinais. Todo o processo de parto e estadia no hospital foi pouco simpático, vivemo-lo juntas, fomos para casa tarde, dezassete dias pós nascimento, este “regresso” também teve os seus desafios.


Os bebés não nascem com manual de instruções e todos à minha volta queriam opinar, é certo que não tinha experiência, tinha sim um instinto animal primevo muito forte e eu era uma mãe feroz, “rosnava” a quem se aproximasse com menos cautela e sem pedir licença, o meu/nosso espaço e tempo eram valiosos.


Passados três meses tive de regressar ao trabalho, naquele tempo havia pouco apoio e compreensão para com as jovens mães. Não havia muita informação, os livros eram mais “técnicos” e nas famílias não se conversava sobre determinados assuntos ou eram meramente remetidos para o romantismo dos filmes cor-de-rosa, a realidade é outra coisa. Ai se soubesse o que sei hoje… 😉


Quantas vezes senti estes grilhões por um qualquer compromisso fosse de que ordem fosse, até mesmo para poder descansar, sentia esta espécie de “prisão” auto-imposta, de não conseguir chegar ao meu bebé em qualidade.


A vida ia acontecendo e eu gerindo tudo à minha maneira, foi o melhor que pude com o que sabia a cada momento, é claro que cometi muitos erros, tudo faz parte do caminho de aprendizagem e está tudo certo.


Tick take colo…

como sempre assino, MJL

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