Família-ri-dade
Eu sempre digo que a minha família é feita de gente maluca, seja por parte de pai ou mãe, cada lado com a sua forma genérica e peculiar, com cada elemento com um maior ou menor grau de “loucura” particular.
Por exemplo, a minha mãe para identificar os seus pertences no local onde trabalhava identificava-os como “MALucas”, sendo MA as iniciais do seu nome e Lucas o apelido, o que serve bem para ilustrar q. b. o que digo.
O José Carlos de Lucca, que é quase da minha família, só lhe faltando o “s” no fim, os dois “c’s” são apenas para disfarçar, diz neste modo simples de amar, e fez-me compreender que, mesmo “malucos” são todos dignos de ser amados, cada um ao seu estilo uma vez que são diferentes dos restantes membros da família.
A palavra “familiaridade” quer dizer convivência familiar em intimidade, para mim é composta por três partes, fui investigar no dicionário o significado de cada uma:
Família - é um agrupamento de seres formado por duas ou mais entidades com ligações biológicas, ancestrais, legais ou afectivas que, geralmente, vivem ou viveram na mesma casa;
ri(r) - manifestar e causar alegria ou divertimento, é um verbo (por isso deve ser conjugado em todas as pessoas);
dade - designa qualidade ou estado.
Por ser da minha natureza “maluca” utilizo com muita frequência o humor em diversas situações, às vezes por nervoso, outras é só mesmo por parvoíce e principalmente por sentir alegria expressada à minha maneira, gosto de trocadilhos, anedotas, adivinhas, no fundo, boa disposição.
Na maluquice que é ser, na minha família até nos funerais nos rimos, os parentes que mudaram de plano, velhinhos, tiveram qualidade de vida, com saúde e alegria. Assim, celebramos as vidas longas e divertidas que tiveram. São os finais de ciclo na vida encarados com pertença e de forma natural.
Sou um ser poroso, a educação pelos pais, professores e sociedade “obrigam” a que muitas vezes o que se vê fora não é o dentro, criei capas e máscaras que aprendi a utilizar ao longo da vida para não me magoar tanto. Escondo emoções por não serem politicamente corretas, fui habituada a portar-me “bem”: “não se faz isto que parece mal”; “o que é que os outros irão pensar”; “meninas bonitas não choram”; “tens que ser forte” etc., e, infelizmente na minha ignorância da altura, passei estas “fórmulas” para a minha filha.
Também as usei como crenças no meu dia-a-dia, mais tarde compreendi, através de livros e cursos em que participei, que isto provoca ainda um maior sofrimento. Faz lembrar aqueles filmes de crimes em que alguém matou outrem sem querer e não querendo ser incriminado tenta esconder, sendo que cada vez se incrimina mais.
Assim, hoje em dia, quero lá eu saber!
Faço o que me dá na real gana tendo em conta a família biológica maluca que me calhou na rifa e que escolhi para vir cá conhecer, e a do coração, a que vim cá re-conhecer, a minha “tribu” do além.

Posso sempre espreitar e ter um vislumbre do que se passa dentro de cada um, indivíduo ou grupo, nesta casa familiar, tudo o mais são experiências e lições que se tornam na VIDA, haja felicidade com alegria…
Tick take gargalhada…
como sempre assino, MJL




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