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A Escola d’formar

(desenho MJL 2022)


Este círculo preparatório foi criado nos primordiais tempos iniciais pelo Professor Gira-sol Do’Céu com os seus muitos irmãos da luz branca e pela Professora Arco- -íris Prismática, filha única, vinda de um triangular longínquo.


Esta escola desforma, reforma e transforma os muitos alunos para as suas formas originais que circulam e em tudo fluem.


Os “maus” alunos que saíam das escolas de formatar e vêm para a de formar, chegam de todas as bolhas e lugares do mundo.


Têm todos os formatos, feitios e cores, vêm ser quem nasceram, chegam cansados, cúbicos, quadrados, bicudos, retangulares, aros, triângulos e piramidais de base quadrada ou triangular e outros que tais, consideram-se inadequados facetados, feios, velhos, disformes, descoloridos e sem brilho.


Há os que preferem as montanhas e rebolam encostas abaixo, os que preferem as dunas de areia, os que preferem as ondas do mar mais ou menos revoltas, os que preferem os rios, cascatas, quedas de água, ribeiros, caminhos na floresta, as pedras, madeira ou terra.


A cada aluno que chega é-lhe atribuído um mais velho, que o acompanha nos primeiros dias, mostrando os locais da escola, os cantos e recantos encantados e mágicos, os locais de estudo mais aprofundado, os mistérios para conhecer o mister da natureza feito.


Um dia chegou um aluno amarelo brilhante, com várias caras, cujos pais lhe queriam retirar à força três manchas negras que ostentava, por ser ostracizado na escola onde andava.

- Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim - dizia tristemente.


Como a todos, a este aluno foi-lhe atribuído, como colega mais antigo, uma bola de golf habituada a levar tacadas, que lhe mostrou as múltiplas formas de outros alunos, há geodes grandes pequenas de tamanho e peso variados, facetadas, bolas de fumo, líquidas, gelo, neve, bolas de sabão, de bowling, golf, futebol ou metal, madeira, terra, areia, cristais brilhantes, esculpidas à martelada, fabricadas em série que os querem todos iguais.


No início do dia o profº Gira-sol toca os sinos de metal redondos e com a força do céu dá-lhes luz branca, conhecimento e sabedoria para se tornarem no que são e não no que alguém quer que sejam.


A profª Arco-íris toca o seu tambor redondo, ao som do batuque canta histórias intemporais encantando todos os que a escutam deixando-os sonhadores, extasiados, estimulando todos os alunos a serem quem são de forma natural e selvagem, à volta da fogueira com chamas bailarinas dançantes e com o seu fumo rodopiante em espirais mil facetadas, numa cova no chão, na terra, uma ilha brilhante debaixo dos raios brancos de uma lua redonda cheia e luminosa.


Com todos estes ensinamentos e desformatação o nosso círculo amarelo aprendeu a aceitar as suas três manchas negras e as suas múltiplas caras. Os alunos finalistas desta escola saem perfeitamente enriquecidos e esquecidos das formas que eram quando chegaram, habilitados de sabedoria necessária a dar continuidade aos seus estudos, agora na vida “real”, no dia-a-dia lá fora, longe dos seus mestres e naturais no seu SER.

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