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Lunapaki

Ivoparka é o chefe guru de um enorme pedaço de terra, Lunapaki, rodeada pela grande água salgada. É ele quem lê os sinais e decide quando caçar determinado animal do ar, da terra ou do mar. A sua companheira é Alvaniva, a que compreende a linguagem e os símbolos da terra.


São os anciãos os guardiões do local, onde moram em conjunto com o resto dos elementos da sua comunidade, o povo Terapaki.


A aldeia fica bem no meio, em volta do olho para as profundezas da ilha. É aí que recolhem alimentos e água para todas as utilizações que necessitam.

(MJL - 2007)


Num dia soalheiro, começaram a ouvir um rugido longínquo, desconhecido, que se foi aproximando, no céu apareceram uns pássaros estranhos de pedra, depois no mar uns peixes de pedra e por fim uns animais de pedra que traziam o homem de pedra nas suas barrigas.


Ivoparka com todas as cautelas e um pouco a medo foi ao seu encontro, de dentro do animal-pedra surgiu o ser mais estanho que alguma vez vira. Parecia ser uma mulher, mas muito diferente das mulheres do seu povo. Esta era fina e alta, de cabelo quase branco, comprido e uns olhos líquidos da cor do mar e do céu. Ficou deslumbrado com este ser. Mais tarde, no entanto, veio a descobrir que também era um animal de carne como ele.


Este novo ser conseguia fazer-se entender numa língua nativa antiga parecida com a sua, o solenaki. Depois das apresentações e cumprimentos mais formais ela explicou ao que vinha. Precisava encontrar um cristal de cor verde, luminoso e muito brilhante, que caíra dos céus à duas luas atrás. Ivoparka não tinha qualquer conhecimento de tal fenómeno, não vira algo do género por aquelas terras ou no mar envolvente.


Ivoparka só saía da ilha uma vez por cada ciclo solar quando o céu clareava com o mesmo tempo que escurecia, aquando do ajuntamento de todas as tribos de ilhas vizinhas.


Esse encontro iria ocorrer em breve e poderia perguntar aos outros gurus das ilhas vizinhas. Convidou esta mulher para o acompanhar na viagem para o próximo ajuntamento.


Regra geral, quem o acompanhava eram os jovens rapazes que demonstravam a sua força e valentia por forma a conquistarem jovens esposas para o seio da grande família do povo Terapaki, assim como as belas e jovens raparigas, que escolhiam os seus pares, e partiam para as respetivas ilhas dos seus novos esposos.


Nestes ajuntamentos anuais todos falavam uma língua franca comum a todas as tribos das várias povoações em cada ilha, com a qual se podiam entender, o Kimpiri.


Neste recinto havia trocas de objetos, comida, animais vivos e tudo o que cada ilha produzia com os seus recursos e podia trocar por outros que lhes fizessem falta de alguma forma.


Ivoparka dirigiu-se para a grande gruta dos gurus onde conversou longamente com todos, depois foi buscar a mulher branca e apresentou-a ao conselho de gurus-anciãos. Ela voltou a explicar o que pretendia encontrar. Todos encolheram os ombros afirmando que não tinham conhecimento de tal fenómeno nem de tal objeto caído do céu.


No entanto, na noite igual ao dia havia um ritual em que todos se juntavam na praia de areias brancas que contornava toda a ilha e durante a escuridão davam a volta completa dançando e entoavam cânticos ancestrais aos deuses da terra, do ar e do mar. Ao passarem pelo lado nascente já com a luz a despontar antes da grande bola de fogo surgir viram um halo resplandecente, verde, dentro de água, mas muito próximo da margem.


Todos viram e todos se dirigiram para lá e descobriram a tal pedra de cor verde, luminosa e muito brilhante. Os seus rostos iluminaram-se e deram de oferenda de amizade à mulher branca como símbolo de boas-vindas e de uma nova amizade próspera entre todos.


A partir desse dia, todos os anos, quando o céu clareava com o mesmo tempo que escurecia, voltavam a reunir-se e festejavam juntos esta amizade duradoura.


O ritual noturno do contorno pelas areias brancas junto à orla marítima, ao som sussurrante das pequenas ondas, num mar calmo ainda se mantém até aos dias de hoje e continuará até aos dias do amanhã, remoto e eterno.


E… sempre se encontra a pedra de cor verde, luminosa e muito brilhante, a mulher branca chega e deposita-a no seu lugar primitivo, para ser reclamada de novo e levada para junto do povo de pedra voador.

MJL - 2026

 História sussurrada na madrugada de 2026-02-03

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