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Elisa & Emília - 2º

Episódio segundo


Afinal o que lhes tinha acontecido?


Eram uma dentro da outra!


E agora confrontadas com esta nova realidade, uma no passado e outra no futuro, trocadas, em corpos diferentes… cada uma fora da sua época.


A Emília, agora no corpo de Elisa, tinha nascido no final do século XIX em 1878.


Com cinco irmãos, Sofia, Amélia, João, Domingos e Eduardo, morava na Rua da Senhora do Monte à Graça, numa capital com vista para o grande rio, tinha uma compleição física debilitada.


Desde muito pequena com uma condição de saúde frágil, tinha tido uma infeção nos pulmões que lhe afetou o coração, contava que tinha ido fazer um tratamento em Espinho, onde respirava o ar forte do mar e comia caracoletas. Desde então, ainda criança, respirava com pequenos sopros.


Devido a esta condição apenas podia brincar brevemente com os irmãos, assim começou a desenvolver o gosto por trabalhos mais leves, os de mãos, como croché, bordado, costura, ler, escrever, desenhar, pintar, ler música e tocar piano, entre outros que não lhe exigissem grandes esforços.


Refugiando-se na sua timidez natural e tentando escapar aos familiares com quem agora vive, neste novo corpo com capacidades há muito esquecidas e com toda uma nova rotina para aprender rapidamente, para não comprometer a sua identidade interna.


E Elisa no corpo de Emília, habituada a uma vida natural, na rua com os seus cavalos, em correrias, agora, neste corpo frágil e sem fôlego, terá de abrandar ou até mesmo parar.


A única vantagem de Elisa é saber um pouco da história da sua família contada à lareira, pela sua bisavó.


Agora, vêem-se confrontadas com esta nova realidade num mundo completamente diferente dos seus, uma foi para o passado e outra foi para o futuro, em corpos trocadas.


Independentemente disso ambas com curiosidade de explorar e conhecer novos caminhos, espaços e tempos.


Com muito cuidado e delicadeza, para não exporem o que lhes ia por dentro na alma, cada uma foi-se adaptando às novas realidades.


A aprendizagem foi lenta, progressiva, conseguindo evitar colocarem-se em apuros e mostrarem maiores fraquezas, principalmente aos familiares com quem vivam, amigos e honrando dentro dos possíveis as rotinas de cada uma.


Emília aprendeu, dentro deste novo corpo a ser irrequieta, atrevida, aventureira, e Elisa aprendeu a parar, a estar, descansar e ficar no lar materno.


Foi um grande desafio interno para cada menina, mas havia o deslumbramento do desconhecido do mesmo mundo visto pelos olhos de outra pessoa, onde o conhecimento se torna sabedoria durante a prática consciente de quem eram dentro e fora dos seus recém-adquiridos corpos, com tudo o que tinham ao seu dispor.


É claro que este processo começou lento, cheio de desafios que foram superando progressivamente.


E agora?


Como se irão desenvencilhar deste apuro?

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