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Elisa & Emília - 4º

Episódio final

Que fazer?


Como regressar?


Até que, um dia, aconteceu…


Um ano após a troca, numa noite de lua negra, ao bater as 12 badaladas, duas mãos encontram novamente a maçaneta trabalhada e a tão conhecida porta dissimulada abriu… sentiram aquele familiar pequeno choque elétrico que deixava um formigueiro na ponta dos dedos tão presente desde a primeira transição.


Abriram, cada uma do outro lado, e o breu envolveu-as... Os corações bateram fortemente no peito de cada uma… dentro do esconderijo o ar era denso despertavam os aromas a pinho e alfazema antigos, primeiro o vão e depois solido habituais desanimou-as.


Tentaram desesperadamente esticar os braços pressionando a madeira, mas encontraram a resistência na sólida parede de madeira polida.


Mais uma vez a desilusão e frustração chegaram, encerraram a porta com irritação, regressaram ao leito onde as lágrimas amargas choradas molharam o travesseiro durante algum tempo, até que o cansaço venceu.


Levou-as para um sono agitado proliferado de sonhos buliçosos, movimentados e confusos.


Na madrugada do dia seguinte, estremunhadas acordam em sobressalto, algo de estranho e ao mesmo tempo familiar se passava, as circunstâncias eram diferentes do habitual dos últimos tempos.


Uma sob um silencio abissal fora do comum, a outra com uma algazarra e cacofonia muito estranhas.


Esfregando e afastando os fantasmas da noite, abrindo melhor os olhos, viram o mesmo quarto de sempre, a casa parece a mesma, os aromas, as texturas, agora os objetos nela contidos, isso, já é outra história.


Um sorriso triunfante abre-se e alegra as caras de ambas, estavam de volta ao seu tempo.


Emília tentou pular, mas não conseguiu e Elisa tranquilamente respirou fundo sentindo os seus pulmões expandirem-se ao máximo.


Desataram a rir até lhes doer a barriga e as bochechas.


Tinham conseguido regressar.


Após a euforia inicial foram acalmado e saíram do quarto fazendo o reconhecimento à sua saudosa casa, absorvendo tudo o que acontecia ao seu redor, as formas, cores, cheiros, barulhos e aromas tão familiares.


Tinham estado fora um ano e agora a casa do antes também tinha a sua familiaridade ausente.


Este retorno era agridoce. Esse primeiro dia foi épico. Nos seguintes, o regresso às rotinas novas-antigas, anteriores, foi sendo incorporado, mas sempre com um sentimento de nostalgia.


Entretanto como já tinham experienciado sabiam como se comunicar, Elisa nunca se desfez do roupeiro de Emília.


E a via ficou sempre aberta entre elas durante muitos anos,

MJL - 2025

 

 Estória sussurrada numa destas noites mal dormidas, interlaça duas personagens.

Inspiradas em duas mulheres da minha família, uma do século XX-XXI e a outra do século XIX-XX.

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