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Elisa & Emília - 3º

Episódio terceiro


Grandes desafios as aguardam.


Como saber o que se passa do lado de lá, de onde vieram?


Com as suas novas provações diárias, como as de permanecer fiéis a quem representam, uma pergunta pairava-lhes sempre em ambos os espíritos das meninas.


Como se poderiam comunicar?


Uma das práticas que ambas mantiveram foi o de se irem, frequentemente, resguardar no tal fundo falso do armário por onde tinham entrado entre estes dois novos mundos em tempos divergentes.


Uma noite acordando assustada Emília foi ler um pouco para esse espaço de conforto que tanto lhe consolava e lhe trazia um pouco do seu mundo para mais perto. Após ler algumas páginas adormeceu e acordou às pressas atrasada na manhã seguinte.


Nesse apressar deixou cair a marca do livro que lia.


Ora nessa mesma noite Elisa, do seu lado, também foi habitar esse pequeno espaço de fuga. Ambas no mesmo dia e mais ou menos à mesma hora.


Ao sair do seu esconderijo, pousou a mão em algo que não estava lá quando tinha aberto a portinha antes.


Era o seu tão conhecido marcador de livros deixado no lado de lá, que mostrava um pequeno ser a levantar voo de um livro aberto, em direção a um coração desenhado num céu iluminado por mil estrelas numa miríade de tons de azul, a sua cor favorita.


O coração deu um pulo, os olhos esbugalharam-se, o pequeno sopro que agora era a sua respiração acelerou.


Que descoberta… logo entendeu que Emília deveria estar a pensar no mesmo “como se comunicarem?” e compreendeu que tinha arranjado uma forma.


Nas noites seguintes foi lá deixar recados, mas no dia seguinte permaneciam intocáveis.


Por sua vez Emília procurou em vão o marcador do livro, azul, sem conseguir descobri-lo. Até que se lembrou dessa noite em que tinha adormecido.


O seu pensamento foi no mesmo sentido, ora se podia “perder” o marcador de livro que mais poderia deixar? Mas também sem sucesso o que lá deixava estava intocado no dia seguinte.


Até que, quase em simultâneo, compreenderam, tinham que ir para dentro do armário à meia-noite.


Assim estabeleceram uma conversação através de bilhetes, cartas mais ou menos longas, onde trocavam entusiásticas trocas de vivências, de como tinham conseguido passar despercebidas e alinhado as suas mentes às novas vidas.


Experimentaram muitas coisas, objetos vários, peças de roupa, alimentos e todo o tipo de materiais que se foram lembrando e combinando através dos seus escritos.


Depois perceberam que só as missivas em papel passavam.


Mais um desafio a ponderar.


Como poderiam regressar ao mundo?


Como conseguirão retornar cada uma ao seu tempo?

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