Elisa & Emília - 1º
- 8naturalinfinito
- 2 de mai.
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de mai.
Episódio primeiro
Numa noite de lua negra, ao bater as doze badaladas, duas mãos encontram finalmente a maçaneta trabalhada numa porta dissimulada da casa antiga, num arrepio tocam-na e sentem como que um pequeno choque elétrico que deixa formigueiro na ponta dos dedos.
Abrem-na, do outro lado o breu... O coração bate fortemente no peito de cada uma… dentro, o ar é denso com ligeiro aroma a pinho e alfazema antigos.
Esticando um braço encontram resistência, parece ser sólida, de madeira polida.
É logo ali, muito perto da porta agora escancarada… nada, vazio, escuridão, ambas esperavam encontrar algo, mas o vazio!?
O entusiasmo com que tinham começado aquela aventura, em busca de algo revelador da sua existência, era coisa alguma?
Que desilusão, encerrando a porta com alguma irritação, regressaram ao leito onde rapidamente adormecem esquecendo, relutantemente, a aventura noturna.
Após uma noite com sonhos confusos, que pela manhã não tinham memória, acordam em sobressalto, na madrugada do dia seguinte, com a luz do início do dia a despontar.
Algo de invulgar se passava, sentiam-se em circunstâncias muito diferentes do habitual.
Uma sob um silencio abissal fora do comum, outra com uma algazarra e cacofonia muito estranha.
No entanto o quarto é o mesmo, a casa parece a mesma nos aromas, nas texturas, agora os objetos, isso já era outra história.
Olhando em redor com maior atenção e à medida que a luz nascente penetra pela janela aberta, os pormenores vão-se mostrando estranhos ao quotidiano.
Que lugar é este tão familiar e ao mesmo tempo tão peculiar e diferente? Questionam-se.
Levantam-se de rompante, ao passar pelo largo corredor passam pelo imponente espelho da sala e vislumbrando pelo canto do olho, descobrem algo inesperado e simultaneamente assustador.
Em pânico- e antes que se cruzem com algum dos outros habitantes, correm para a casa de banho, trancam apressadamente a porta, e dirigem-se para o lavatório.
Enchem as mãos em concha, com uma generosa quantidade de água fria, que atiram nervosamente e passam as mãos trémulas pelo rosto.
Notam diferenças ao tato, ansiosamente espreitam para o espelho que encima o dito lavatório.
Descobrem algo terrível, uma verdade já inferida pelo vislumbre no espelho da sala.
Apesar de atónita uma reconhece de imediato a quem pertence aquele rosto bondoso, a outra demora mais tempo para reconhecer algumas semelhanças, não iguais, longínquas.
Percebem de imediato o que se tinha passado na noite anterior.
Afinal o que tinham encontrado não era nem o escuro, nem o vazio, nem a desilusão.
A caça ao tesouro iniciada no ano anterior, precisamente num dia similar ao de hoje, finalmente tinha dado frutos.
Aquele documento antigo, encontrado por acaso, no fundo falso de uma arca no velho sótão onde ambas brincavam e imaginavam grandes viagens ao desconhecido, tinha-nas conduzido a este desfecho inusitado.
E agora? O que fazer? Como sair daquele enredado onde estavam metidas?
O desconhecido aguardava-as…
Como viver esta nova vida?



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