EuGénia Lamparina
- 8naturalinfinito
- 1 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Havia uma lâmpada que jazia abandonada no escuro que se sentia sozinha.
Um dia uma menina encontrou-a, levou-a para casa apesar de todos lhe dizerem que aquilo era lixo, feio, não prestava e não tinha função, nunca iria servir, podia muito bem ter uma nova sem se dar a trabalhos.
Realmente a lamparina estava suja, gasta, amolgada e fria, só que a menina identificou-se com a lâmpada assim que a viu e percebeu que havia muito por descobrir por dentro, na essência e cuidou-a com muito respeito pelo que fora, desvendando aos poucos o seu potencial, poder e magias interiores.
Com muita gentileza desmontou tudo o que pode, deu-lhe pancadinhas para soltar as impurezas mais resistentes e desamolgar os baixos e altos relevos provocados pelos toques e quedas ao longo da vida.
Deu-lhe banho, areou-a, limpou-a.
Das suas mãos e do seu trabalho, à medida que ia vendo o que lhe aparecia, de dentro para fora, foi descobrindo maravilhosas figuras embutidas na sua casca/pele/forma, eram desenhos delicados com todos os seres da natureza, todos os deuses escondidos nelas.
As suas histórias foram-se revelando, sobre tudo em que tinha participado, banquetes, lugares escuros onde foi heroína e trouxe quem a tinha na mão, perdida, para o sol onde se desvanecia e encandeava com tanta luz.
Com o seu trabalho finalizado saiu uma luz magnífica, maravilhosa ardente e fogosa, era no escuro que se tornava mais magnífica e grandiosa, onde se sentia em casa, onde era apreciada pelas suas qualidades de iluminar e guiar.
Agora todos os que a viam lhe cobiçavam a lâmpada. Perguntavam onde tinha encontrado, quem lha tinha dado, onde poderiam adquirir outra igual, etc. ao que a menina respondia que era do universo e ficaria consigo até querer pois não lhe pertencia.
Inspirada num dos possíveis ramos das histórias das “Mil e uma noites”
O Génio e a lâmpada mágica




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