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Os Sete Cisnes

(desenho e fotografia por MJL)

Há muitos séculos havia um rei com sete filhos, no seu leito de morte deixou sete castelos altaneiros, no cimo de sete colinas, um para cada filho cuidar com generosidade e amor para com todos os habitantes a seu cargo. Todos eles honraram a última vontade do pai e governaram com sabedoria.


Esses castelos distavam muito uns dos outros e rodeavam um enorme lago, apesar da distância estavam sempre visíveis, principalmente em noites claras e estreladas, pois os irmãos combinaram acender uma fogueira no alto da torre mais alta todas as noites, como sinal de que tudo estava em paz.


Tinham também combinado um encontro anual, após a sétima lua cheia pós equinócio de outono.


Assim juntavam-se à beira do lago dos Sete Riachos, pois era alimentado por sete cursos de águas refrescantes e saltitantes. Ali partilhavam as suas vivências e experiências ao longo de cada época, comiam numa farta mesa primaveril de onde também observavam a chegada dos cisnes selvagens.


Num determinado dia, durante um desses encontros, os primeiros cisnes a chegar eram sete, seis imponentes e majestosos cisnes brancos e um elegante cisne negro.


Na hora de regressarem aos seus castelos despediram-se com abraços fraternos e cada um seguiu o seu caminho, no entanto o irmão mais novo ficou para trás pois o seu possante corcel coxeava de uma pata, tinha uma pedra que o jovem rapidamente retirou com cuidado.


De repente, o seu olhar recaiu sobre o lago e viu uma jovem donzela a banhar-se nas refrescantes águas e resolveu aproximar-se. Ao fazê-lo pisou um ramo e a rapariga cobriu o seu corpo desnudado com um manto de penugem de cisne. O rapaz aproximou-se, ganhou a confiança da moça e passaram toda a noite a conversar. Ao nascer do dia a donzela mostrou urgência em despedir-se e disse ao jovem mancebo

- Se quiseres ver-me de novo regressa aqui depois de uma volta completa ao sol, no mesmo dia, à mesma hora e vem montado no teu cavalo.


E assim foi, no dia aprazado todos os irmãos se juntaram no banquete e trocaram mais uma vez as suas vivências, o mais novo contou a sua aventura anterior. Todos os irmãos ficaram com vontade de conhecer essa esbelta donzela. O mais velho prontificou-se a ir primeiro uma vez que, como todos os seus irmãos, era solteiro.

Montou o seu cavalo e seguiu pelo caminho indicado pelo seu irmão mais novo.


Entretanto, a jovem donzela que, como já devem ter adivinhado era o cisne negro, pediu aos seus irmãos, cisnes brancos, para atapetar o caminho com pedras preciosas, ouro e prata, com instruções para apenas deixarem passar o cavalo que fosse sempre pelo meio do caminho.


O primogénito ao ver tamanha riqueza, não querendo que o seu cavalo a pisasse, começou a ir pelas bermas, só que deslumbrado com tanta riqueza não resistiu ao ímpeto de recolher tudo o que pode, colocou dentro dos alforges. Entretanto o caminho desapareceu aos seus olhos, os irmãos cisne tinham-no fechado com o auxílio da floresta, das árvores, ramos, plantas, flores e pedras.


Não sabendo por onde ir só teve hipótese de regressar para trás para junto dos irmãos que esperavam na farta mesa primaveril e contou a sua desventura mostrando toda a riqueza recolhida.


Assim, numa sequência de idades, todos os irmãos foram ao encontro da donzela e todos regressaram contando a mesma história.


Até que chegou finalmente a vez do mais novo, prontamente montou o seu cavalo e saiu a toda a brida ao encontro prometido. Passou a galope pelo meio do caminho sem sequer se lembrar das histórias dos irmãos e sem se aperceber das riquezas nele contidas, pois a que buscava, a que conhecia era a bela donzela com quem tinha privado uma noite e por quem se apaixonara perdidamente.


O caminho manteve-se aberto para ele, desmontou, ajoelhou-se aos pés da rapariga e pediu-a imediatamente em casamento. A jovem acedeu com a condição de todos os anos regressar a este local para passar o dia com os seus irmãos cisne.


E assim foi!

MJL 03-05-2024

(esta Estória foi-me sussurrado na madrugada, um conto baseado nas sete Plêiades

e na lembrança de uma história lida/ouvida em criança.

Não sei quando e não a sei toda, apenas de alguns pormenores que aqui coloco)

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