Princesa encarcerada
- 8naturalinfinito
- 1 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Não sabia como ali tinha ido parar, tinha estado muito tempo feita em fanicos até que um calor assoberbante a tinha transformado no que é hoje.
Fora colocada naquele espaço sem poder decidir onde ficar.
Fora segura pela cintura com poderosas correntes, encarcerada.
O lá fora é aos quadradinhos, as formas e as cores aparecem e desaparecem conforme a luz que passa por essa quadrícula.
Há dia e noite, luz e sombra.
Há dias em que a bola de fogo no céu aquece e se vê, outros em que não se vê, há nuvens que trazem água em várias formas, passam lentas ou rápidas impulsionadas pelos ares uivantes ou suaves.
Há noites em que a bola do céu é vislumbrada nas várias formas que a sua luz permite, em bola que cresce e decresce, passando de um “C” para um “D” que depois se inverte. Outras noites são tão cerradas que tudo se resume aos sons e cheiros.
Do seu corpo em forma de cogumelo observa, apenas pode olhar além dele, no entanto por baixo de si sente vida, mais sombria e protegida.
Ao seu redor vê as cores das ervas mudarem pela quantidade de água que sente a seus pés e pelo calor crescente ou decrescente do sol.
Há alturas do ano em que pouco consegue espreitar para além dos ramos verdes que a envolvem, aí só lhe resta mirar para cima, ver as nuvens passar com ou sem pressa no azul-celeste.
Às vezes tem animais por companhia, alguns fazem cócegas nos seus pés bem enterrados no solo fértil onde também, com menos frequência, nascem flores que lhe sorriem com as suas múltiplas cores.
Escuta sons longínquos desconhecidos, que, com o passar do tempo se tornam familiares.
É ali que ela permanece até aos dias de hoje, onde se sente segura, onde vive desde que se conhece como forma de ser.
(MJL - setembro 2022)
Inspirado na fotografia em cima




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